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Projeto une comunidade em torno da preservação ambiental e melhora os indicadores de saúde
Foto: Divulgação/PMPA
Lixão foi transformado em praça que virou local de confraternização dos moradores do Morro da Polícia


Desde 2008, com o início do projeto “A Divindade da Água” desenvolvido pela Secretaria da Saúde de Porto Alegre (SMS), através da Coordenadoria Geral de Vigilância em Saúde (CGVS), profissionais de saúde e comunidade se uniram com o objetivo de enfrentamento das iniquidades que incidem sobre determinantes sociais da saúde em uma área verde no Morro da Polícia, localizada no bairro Partenon.

Nesse território, onde atualmente vivem cerca de 130 famílias, um dos desafios dos profissionais de saúde foi o fato de a comunidade ter se desenvolvido dentro de uma área de preservação ambiental (APP). A ocupação irregular e não planejada deste espaço, onde existem várias nascentes e fontes naturais,
resultou na poluição das águas, com lixo e esgoto sendo jogados diretamente nos arroios e uma intensa proliferação de ratos e mosquitos, trazendo danos à saúde dos habitantes da região.

A situação da comunidade que vive na área verde é precária, porém, faltam indicadores quantitativos, devido à invisibilidade burocrática dessas pessoas, que, morando ilegalmente, não tinham endereços nem registro na unidade de saúde do bairro. Esta situação de quase inexistência limitava a disponibilidade de dados para informar a realidade do problema.

Como o projeto buscava, desde o começo de sua concepção, um envolvimento dos moradores, o tema da espiritualidade foi relacionado com a promoção da saúde e a educação ambiental, fazendo com que houvesse um interesse e entendimento amplo da importância do trabalho desenvolvido pela equipe de vigilância no local.

A coordenadora do projeto e técnica da Vigilância em Saúde, Kátia Cesa, conta que no início do projeto foi planejada uma abordagem educativa voltada para a situação de degradação dos arroios da cidade e suas consequências para a saúde humana. “Quando chegamos ao local, encontramos crianças brincando numa pracinha que ficava dentro do lixo”, explica. “O foco do projeto mudou do arroio, para a comunidade, considerando o alto risco que envolvia a questão do lixo. Nosso objetivo passou a ser o de tentar incidir sobre essa situação, onde as crianças andavam descalças no meio de muitos cacos de vidro e lixo.”

Foi muito importante o engajamento da comunidade para o sucesso dessas iniciativas. A Associação de Mulheres Unidas pela Esperança (AMUÊ) foi uma das entidades protagonistas desse projeto. Conforme conta Kátia, as mulheres que compõem a entidade foram se apropriando dos conhecimentos desenvolvidos por meio das ações de promoção de saúde e hoje são verdadeiras agentes da saúde na região.

Dentre as iniciativas realizadas, numa parceria da Coordenadoria Geral de Vigilância em Saúde com diversos departamentos da administração municipal e lideranças comunitárias, ocorreram a organização da coleta de lixo na área verde; a limpeza do espaço comum; a construção de um canteiro de flores, substituindo uma lixeira na entrada da vila; comemorações alusivas à água com várias atividades educativo-culturais; negociações para o abastecimento de água e saneamento junto aos departamentos específicos do município; cadastramento das famílias no centro de saúde; e implementação do comitê gestor de saúde local.

Atualmente, o panorama da comunida de da área verde do Morro da Polícia é bem
diferente do encontrado no início do projeto. As conquistas na comunidade foram co-produzidas pela atuação de membros e lideranças da comunidade local, com a participação das entidades AMUÊ, Associação Clara Nunes, ACOVISMI, SOS Morro da Polícia e profissionais comprometidos com a saúde ambiental na Prefeitura de Porto Alegre, juntamente com outras instituições públicas e civis, entre elas cabe destacar o Movimento pela Saúde dos Povos.

O espaço, onde antes havia acúmulo de lixo, atualmente é usado como pracinha e área de integração da comunidade. Após três anos, a praça mantém-se. O projeto, que foi selecionado para a 1ª Conferência Mundial sobre Determinantes Sociais da Saúde, promovido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), no ano passado,  será implementado em outra comunidade de Porto Alegre, a Vila Bom Jesus, onde existe um depósito de lixo às margens do Arroio Mem de Sá.

Ficha Técnica
Título da experiência: Projeto “A Divindade da Água”: Profissionais de saúde e comunidade no combate às iniquidades que incidem sobre determinantes sociais da saúde
Município: Porto Alegre
Apresentadora do Trabalho: Kátia Teresa Cesa

 

16/07/2012
Fonte: 3ª Revista Cosems/RS
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