Integração da comunidade com ações de saúde mais próximas da população
Foto: Estudio Harmonia/PMSA

Os gestores de Saúde em municípios com áreas rurais enfrentam o desafio de atingir toda a população com suas políticas e programas. Esse era o caso de Severiano de Almeida, município localizado no Norte do Rio Grande do Sul. Mesmo em uma localidade pequena, com pouco mais de 3,8 mil habitantes, a relação entre a população e o Sistema de Saúde era voltada para o perfil curativo, comum nos serviços em grande parte do país. Para aproximar os cidadãos do Sistema Único de Saúde (SUS), a secretaria municipal criou o Projeto Saúde Integrada – Formando Cidadãos. O programa busca aprimorar o atendimento, reforçar as práticas de prevenção e reduzir o desperdício de recursos através de ações nas comunidades.

Com uma economia basicamente rural, Severiano de Almeida conta com 17 comunidades, algumas delas bem distantes da zona central do município. “Muitas pessoas, seja pela distância ou pela carência de recursos, têm dificuldades de vir à cidade. Então, resolvemos ir até elas e convidá-las a trabalhar com conscientização e programas de saúde”, explica Samuel Salvi Romero, coordenador do projeto. Equipes multidisciplinares, que contam com enfermeiros, médicos, dentistas, fisioterapeutas, parapsicólogos, psicólogos, acupunturistas e agentes de saúde, entre outros profissionais, foram formadas para oferecer atividades e consultas aos moradores. 

Atualmente são 43 profissionais trabalhando nos grupos, identificando os problemas e propondo ações. Constantemente, as equipes saem às ruas para o encontro da população. De casa em casa, os profissionais realizam consultas, intervenções e orientações, além de motivar a população a participar do fomento de grupalidades locais. O trabalho é baseado na prevenção e no diagnóstico precoce de doenças. 

Segundo o coordenador do projeto, a  adesão da comunidade foi gradativa. “No início, a população estranhou, não entendia o que queríamos fazer. Eles queriam atendimento com os médicos nos consultórios, mas aos poucos foram percebendo e participando e hoje querem cada vez mais atividades”, comenta. O sucesso é tanto que na festa anual do programa de 2012 cerca de 700 pessoas se reuniram para participar das atividades. “As pessoas passaram a entender melhor o funcionamento do SUS e isso só é possível tornando os dados acessíveis para as populações mais vulneráveis. A partir do momento em que há essa compreensão de que uma boa condição de saúde começa a ser criada em casa, com alimentação saudável e evitando o sedentarismo, tudo fica mais fácil”, ressalta Romero. Os participantes são incentivados à prática de exercícios físicos na Academia de Saúde, localizada na praça central da cidade.

Com o apoio da EMATER, do Governo do Estado, foi criado o grupo de Reaproveitamento de Alimentos, que promove a introdução de uma culinária mais saudável e econômica no dia a dia do trabalhador e da comunidade. Nele, são apresentadas receitas com alimentos reaproveitados, que promovem, além da integração nas comunidades, o entendimento de que a alimentação saudável é essencial para a melhoria das condições de saúde da população. Há, também, os grupos de hipertensos e diabéticos, de gestantes e de saúde mental. Para cada um desses grupos, há encontros periódicos, em que um profissional especializado é convidado para palestrar sobre as patologias e o entendimento do SUS.

As ações ganham continuidade com o Grupo Amigos da Vida, que mantém o acompanhamento de pacientes com câncer e de pós-tratamento. Hortos municipais foram criados nas comunidades, além da oferta de tratamento com acupuntura e auriculoterapia, oficinas farmacêuticas de produtos fitoterápicos, grupos de estudo sobre alcoolismo e drogadição e colocação de próteses dentárias. Em um futuro próximo, o projeto deverá oferecer sessões de massoterapia e pilates aos participantes.

Nos dois primeiros anos da iniciativa, foram realizadas mais de 6,5 mil visitas. 

Os resultados dessa aplicação de medicina preventiva já são visíveis. Em 2010, a SMS registrou 8.815 consultas nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). No primeiro ano de realização do programa, em 2011, o número de atendimentos caiu para 5.042. Em 2012 também foi registrada queda, com 5.089 consultas realizadas. No mesmo ano, foi constatado que o número de usuários de medicamentos controlados havia caído de 689 para 433. Os dados mostram que a ação preventiva de doenças está se mostrando eficiente na comunidade.

 

Ficha Técnica

Título da experiência: Projeto Saúde Integrada – Formando Cidadãos
Município: Severiano de Almeida
Apresentador do Trabalho: Samuel Salvi Romero
Coautores: Marcia Zanella, Jeneci Vendruscolo e equipe de Saúde

Fonte: Revista COSEMS/RS 5ª edição