Informatização facilita acesso e traz economia ao município de Osório
Foto: Divulação/PMO

A Secretaria Municipal da Saúde de Osório investe desde 2009 em tecnologia para a informatização total do atendimento à população. Em conjunto com a capacitação de todos os profissionais ligados à área, a nova forma de gerenciar o sistema de marcação de consultas e exames, por meio da utilização do software livre Linux Ubuntu, está trazendo economia e agilidade na realização dos procedimentos.

Diminuir os deslocamentos desnecessários foi outra conquista do projeto. De acordo com o secretário Emerson Arli Magni da Silva a extensão territorial do município, localizado no Litoral Norte, dificultava o acesso de parte da população ao atendimento, o que foi facilitado pelo sistema. “Uma das melhorias foi o paciente não ter o ônus de ficar se deslocando de um lado para o outro sem saber onde seu problema seria resolvido”, diz. Para se ter uma ideia, a distância entre duas unidades de saúde mais distantes no município chega a 39 quilômetros.

O processo começou por meio da contratação de uma empresa para a instalação de prontuários eletrônicos. Após essa etapa, técnicos da área de tecnologia foram contratados pela Secretaria para o desenvolvimento e a manutenção do sistema. Atualmente, o cadastro dos usuários pode ser realizado em qualquer unidade, bastando apresentar um comprovante de residência ou da visita de um agente comunitário. Todas as 16 unidades de saúde são informatizadas e contam com acesso à internet, interligando os dados por completo e envolvendo mais de 500 profissionais da rede.

Para o secretário, a preocupação com a capacitação é o fator que faz com que o projeto funcione. “Não adianta deixar na mão de uma empresa terceirizada”, defende. “Nós investimos em capacitação dos funcionários e temos servidores preparados dentro da Secretaria para solucionar os problemas.” As capacitações são realizadas através da plataforma moodle, ferramenta eletrônica utilizada para educação a distância, e a cada atualização, novos cursos são oferecidos.

Para os pacientes, o sistema trouxe agilidade na marcação de consultas e exames. Ao chegar a uma unidade de saúde e receber o primeiro atendimento, caso seja necessária a consulta com um especialista o usuário sai com o procedimento marcado, sem a necessidade de deslocamento até outra unidade mais avançada somente para a marcação. Para diminuir as faltas, uma mensagem é enviada 24 horas antes do atendimento agendado. Em janeiro de 2014, por exemplo, num total de 17.117 consultas marcadas, houve 1.880 faltas. Esse número é, em média, 20% menor se comparado a antes da informatização. A outra consequência é o maior controle da oferta e da procura por parte da Secretaria, gerando um melhor gerenciamento dos recursos. “Se o paciente não realiza a consulta ou o exame, o valor correspondente ao procedimento retorna para ser reutilizado e o número de faltas do paciente fica no sistema.”

Por meio da informatização, é possível também acompanhar quais usuários cadastrados estão com vacinas atrasadas. Quando isso acontece, os agentes comunitários de saúde levam informações para que a situação seja regularizada. São 51 agentes, que trabalham com tablets, facilitando a transmissão das informações. O prontuário clínico dos usuários fica disponível em todo o sistema, sendo acessado por qualquer unidade pertencente à rede. O preenchimento por parte do médico também é realizado eletronicamente, sem a utilização de papel.

As últimas ações implantadas foram o programa para o controle das filas para atendimento e a interligação com as informações do Hospital São Vicente de Paulo, localizado no município e referência na região, que utiliza outro sistema. O secretário aconselha que os municípios que pensam em implantar sistemas de informação preparem suas redes antes de receber as inovações. “Nós tivemos que ter todo um planejamento, para não termos problemas com a continuidade do projeto.” Diversos municípios do Rio Grande do Sul e até de outros estados já procuraram Osório para saber mais sobre a iniciativa. Segundo ele, a prática traz um novo momento ao atendimento em saúde, sendo necessários a qualificação permanente dos profissionais e o cuidado com a estrutura básica.

Fonte: Revista COSEMS/RS 7ª edição