Trabalho conjunto entre ESF e escola mantém vacinação infantil em dia em São Sebastião do Caí
Foto: Divulação/PMSSC

Quando se busca a promoção da saúde, um dos desafios encontrados pelas equipes multiprofissionais é aproximar a comunidade do SUS. Em São Sebastião do Caí, distante 60 quilômetros de Porto Alegre, os trabalhadores da unidade de Estratégia da Saúde da Família (ESF) Loteamentos, que atende aproximadamente 1,5 mil famílias moradoras de cinco bairros no norte da cidade, pensaram numa solução para aproximar as crianças de zero a dois anos da unidade, num trabalho de integração com a escola infantil local. O técnico de enfermagem Dionei de Souza é um dos idealizadores do projeto “A Saúde em Nossa Escola Infantil”, que foi selecionado para participar na Ciranda da 4ª Mostra Nacional de Experiências de Atenção Básica, realizada de 12 a 15 de março em Brasília (DF).

Souza conta que a procura por vacinação na unidade era muito baixa e que os agentes percebiam as lacunas nas carteirinhas de vacinação durante as visitas domiciliares. No entanto, apenas o aconselhamento para colocar as vacinas em dia não estava dando resultado. Foi então que a equipe, formada pelos Agentes Comunitários de Saúde (ACS), o técnico de enfermagem, a enfermeira da unidade e a enfermeira da Sala de Vacina da Unidade Central, pensou no projeto. A proposta, levada até a Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Dona Norinha, era de, uma vez por mês, a equipe visitar a escola e medir, pesar e verificar as carteiras de vacinação das crianças até dois anos. A faixa etária foi escolhida devido à elevada quantidade de vacinas obrigatórias nesta idade.

As visitas passaram a ocorrer nas primeiras quartas-feiras de cada mês, com início em junho de 2013. A direção da escola e os educadores ficaram responsáveis por avisar os pais da necessidade do envio das carteiras de vacinação no dia indicado. A equipe da ESF devolvia as carteiras com um bilhete instrutivo informando a existência ou não, dedoses em atraso. Souza conta que no início houve dificuldade, pois os pais não tinham o hábito de acompanhar a carteirinha. “Mesmo com o bilhete na capa do documento, eles esqueciam”, lembra. Contudo, aos poucos o projeto foi alcançando resultados e os pais começaram a procurar a unidade para regularizar o calendário vacinal. Com o sucesso da iniciativa, a escola solicitou para que a equipe ampliasse o projeto e verificasse a carteirinha de todos os 80 alunos, de zero a cinco anos. Nessa conferência, dez crianças estavam com atraso nas vacinas. O bilhete foi anexado à carteirinha e na semana seguinte todas foram levadas à ESF para serem vacinadas. “Foi muito gratificante”, fala Souza.

A prática auxiliou no sucesso das campanhas de vacinação, geralmente realizadas em agosto. Souza lembra que em 2013, na época, as crianças já tinham suas vacinas em dia, só precisando receber as doses referentes à campanha. A tarefa reiniciou em 2014, com a volta às aulas em março. No entanto, o trabalho permanente voltou à faixa etária inicial.

“Após os dois anos, o calendário de vacinação fica mais espaçado, não justificando uma atividade mais incisiva”, explica.

O técnico de enfermagem ressalta a importância dos responsáveis levarem as crianças para a vacinação na unidade de saúde. Ele conta que já promoveram, em uma campanha anterior ao início do projeto, a vacinação diretamente na EMEI, porém, os resultados não foram tão satisfatórios. “Nós vacinávamos com a autorização dos pais, mas as crianças ficam traumatizadas devido ao procedimento acontecer no ambiente escolar”, explica Souza, lembrando que o choro da criança que estava recebendo a dose acabava assustando as outras que esperavam o atendimento.

Para o autor da proposta, o envolvimento da escola é fundamental para o bom andamento do projeto, pois os educadores são o canal direto para transmitir a informação e ressaltar para os pais a importância dessa nova atividade. “Se os professores não acreditarem na ação, o projeto pode ficar prejudicado.” Na Dona Norinha, houve uma boa integração. Souza conta que uma sala foi separada para a utilização da equipe e no final de cada visita era realizada uma reunião com a diretora para repassar um relatório da atividade. A parceria deu tão certo que no Dia das Crianças do ano passado, a escola organizou uma festa para os alunos e chamou a equipe de saúde para participar. Um dos agentes se fantasiou de Ben 10, um personagem de desenho infantil, e animou o encontro com músicas e brincadeiras.

Para este ano, a ideia é realizar reuniões com os pais das crianças. Em 2013, a comunicação entre ESF e os pais era feita por intermédio dos educadores. No entanto, no dia a dia da unidade, é possível notar o comparecimento dos pais após receberem o bilhete do projeto. “Muitos ficavam surpresos com o atraso nas vacinas”, relembra. A anotação dos dados biométricos nas carteirinhas facilitou, também, o atendimento nas consultas pediátricas. “O médico pode ter certeza que as informações de peso e medida estão corretas”, completa.

Já o secretário da Saúde de São Sebastião do Caí, Clóvis Duarte, ressalta a importância desse tipo de projeto na prevenção, pois a partir do momento que o profissional da saúde está presente no ambiente da criança, ele acaba verificando se ela está se alimentando bem e crescendo saudável conforme os padrões estabelecidos para cada idade. “Isso faz com que tenhamos um controle do desenvolvimento dessas crianças”, explica. Devido ao sucesso do projeto na ESF Loteamento, o secretário diz que a ideia é expandir para as outras unidades. “A tendência é que as equipes de saúde passem a se dedicar a esse tipo de ação, que já vem mostrando bons resultados e é importante para a comunidade”, pontua.

Fonte: Revista COSEMS/RS 7ª edição