Práticas orientais auxiliam na autopromoção da saúde

O uso da técnica do Chen Taijiquan (Tai Chi Chuan estilo Chen) vem auxiliando a promoção da saúde e da qualidade de vida de mais de 200 pessoas em Uruguaiana, na Fronteira-Oeste do Rio Grande do Sul. A arte marcial terapêutica chinesa, criada no século 17, auxilia no controle da hipertensão, do diabetes tipo dois e na mobilidade de pessoas idosas, afirma o coordenador do projeto e instrutor da prática, Rui Seabra Machado. “O uso do Chen Taijiquan em Uruguaiana só foi possível porque adaptamos a prática às necessidades da saúde pública”, afirma. “Com as pessoas tendo mais saúde e menos doenças, o projeto se justifica totalmente.” As meditações permitem um reequilíbrio emocional, mental e físico, fundamental para o desenvolvimento da autovigilância em saúde, uma vez que em determinados casos se constatou uma falta de compromisso com a promoção pessoal de uma vida saudável.

As chamadas Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) são responsáveis por 72% das causas de morte no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. Somente a hipertensão arterial atinge mais de 59% da população maior de 65 anos e aproximadamente 22% da população adulta no país. Através da arte terapêutica chinesa, que proporciona atividade física, além de promover bem-estar e serenidade aos seus praticantes, já podem ser observados bons resultados. Machado cita o exemplo de uma aluna, cuja saúde apresentava uma série de complicações, como um dos casos de maior sucesso. Ela era portadora de hipertensão sistêmica e utilizava dois medicamentos, estava obesa e com ansiedade. As dores nas costas eram resultado das cirurgias na coluna vertebral. “Após 12 semanas de prática, o médico suspendeu o uso de medicamentos, pois o quadro clínico havia se estabilizado. Ver uma pessoa que estava com baixa autoestima, com dores, e que hoje voltou a trabalhar, é o melhor retorno que podemos ter do nosso trabalho”, diz Machado. 

Por meio do acompanhamento e da avaliação constante de profissionais da saúde, os praticantes têm a pressão arterial e a frequência cardíaca aferidas em todas as sessões. Semanalmente, é realizado o teste HgT para verificação dos níveis de glicemia. Outro cuidado diz respeito aos níveis antropométricos, que são medidos periodicamente para indicar as taxas de obesidade. “Os problemas detectados são encaminhados para tratamento. Assim, o programa acaba servindo como porta de entrada no SUS”, explica a secretária da Saúde de Uruguaiana, Saionara dos Santos. “No caso da obesidade, as pessoas recebem esclarecimentos sobre as consequências dessa enfermidade e oferecemos inscrição em um programa público de reeducação alimentar.”

Os idosos recebem atenção especial, por formarem o grupo de maior risco para consequências das DCNTs, inclusive com probabilidade altíssima da ocorrência de Acidente Vascular Cerebral (AVC). Machado do explica que o Chen Taijiquan é uma atividade física reparadora e reabilitadora, que proporciona autonomia funcional, equilíbrio e diminuição da incidência de quedas e outras complicações. “Nosso público-alvo é a população acima dos 30 anos, que quase sempre chega com algum problema”, ressalta. “O Chen Taijiquan é uma atividade que funciona como uma acupuntura sem agulhas, trabalhando de dentro para fora e buscando o equilíbrio total do ser humano.”

São oferecidas mensalmente mais de cem sessões práticas da arte marcial em centros comunitários ou ao ar livre, especialmente em três Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Mensalmente, são realizados mais de 800 atendimentos, totalizando mais de 2,4 mil procedimentos. “Nossa clientela, após se aproximar do projeto, cria essa consciência de que deve cuidar de sua saúde. Isso traz ganhos numa nova concepção de prevenção e cuidado individual”, registra Machado. O trabalho intersetorial e multiprofissional mobiliza as secretarias municipais da Saúde, Ação Social, Esporte e Lazer e, futuramente, Secretaria Municipal da Educação.

Ficha Técnica

Título da experiência: O Chen Taijiquan na Promoção da Saúde e do Bem-Estar
Município: Uruguaiana
Apresentador do Trabalho: Rui Seabra Machado
Coautores: Gláucia Dária Ferreira Machado, Liene Maria Pereira de Campos e Suziele Alves Moreira

Fonte: Revista COSEMS/RS 5ª edição