Fotografias ajudam a identificar doenças hereditárias e mostram o contexto social dos moradores

A Secretaria da Saúde de Marques de  Souza, município localizado na Região Central do Estado, recorreu à memória visual para melhor caracterizar a população atendida na zona rural pela Equipe Um do Programa Estratégia Saúde da Família (ESF). 

O prontuário de família – chamado de Ficha A –, na qual anteriormente constava somente informações básicas, como nome dos pacientes, data de nascimento, idade, sexo, profissão, doenças ou condições referidas e escolaridade, passou a receber fotos dos usuários do serviço a partir de 2011.

Após autorização das famílias, cada integrante foi fotografado pelos Agentes Comunitários de Saúde (ACSs) e incluído no genograma. O documento exibe as fotos dos moradores da residência atendida, que também é fotografada para facilitar a percepção do contexto social em que estão inseridas aquelas pessoas. “Começamos a perceber que algumas doenças se repetiam e, quando buscávamos mais informações, descobríamos que havia grau de parentesco entre os pacientes”, recorda a enfermeira e apresentadora do projeto, Fabíola Favaretto.

No período em que não havia acesso às imagens, um caso específico intrigava os profissionais da saúde: uma paciente portadora de retardo mental e insuficiência renal por não tomar medicamentos anti-hipertensivos era acompanhada de perto, mas não mostrava evolução no tratamento. A informação dos laços familiares levou a equipe a diagnosticar o contexto social em que ela vivia. De posse do prontuário fotográfico, os profissionais obtiveram a informação de que a paciente era casada com um alcoolista e filha de uma portadora de transtorno bipolar. “Ter esse diagnóstico faz toda a diferença na hora da abordagem do paciente, que dificilmente vai tomar medicação ou aderir a qualquer tipo de tratamento se não tiver uma rede de apoio social capaz de auxiliá-lo”, explica Fabíola.

As famílias são visitadas mensalmente pelos agentes de saúde. Para acompanhar a taxa de natalidade do município e a troca de moradia das famílias, os prontuários fotográficos deverão ser atualizados anualmente pela Secretaria. Até o primeiro semestre deste ano, o recurso já havia contemplado aproximadamente 2,2 mil pessoas, o equivalente a mais de 50% da população do município de Marques de Souza. “Conseguimos uma melhor interação da condição social e de saúde da população. Temos uma ferramenta (o Prontuário Fotográfico) que permite visualizar os dados e interligar as pessoas pelo grau de parentesco”, acrescenta Fabíola.

O acesso às fotos dos pacientes também facilita a rotina de trabalho da médica de família Luciane Guerra, que atende na ESF da zona rural. “É um método que ajuda identificar as patologias. Tenho utilizado esse prontuário para compreender doenças hereditárias e a dinâmica familiar, como casos de depressão”, destaca.

Ficha Técnica

Título da experiência: Prontuário Fotográfico
Município: Marques de Souza
Apresentadora do Trabalho: Fabíola Fontana Favaretto
Coautora: Luciane Keller de Negreiros Guerra

Fonte: Revista COSEMS/RS 5ª edição