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Agentes recebem formação visando acabar com o preconceito à população negra
Foto: Ivo Gonçalves/PMPA
Projeto usa a informação para o fim do preconceito que ainda persiste contra a população negra

Segundo dados do IBGE, mais de 20% da população de Porto Alegre se declara negra. Porém, pesquisas mostram que a incidência de Aids, sífilis, tuberculose, mortalidade materna, mortalidade de jovens por causas externas, principalmente homicídios, nessa etnia é mais do que o dobro em comparação à população branca. 

A partir dessas observações, a Secretaria da Saúde propôs a criação de um curso em que os responsáveis pelo atendimento na Capital pudessem aprender um pouco mais sobre a saúde dos negros, desconstruindo, então, o sentimento de racismo. Assim foi desenvolvido, ao longo de 2012, o curso Promotor@s em Saúde da População Negra. “Utilizamos várias formas para problematizar e aprofundar questões que envolvem a comunidade negra, como vídeos, teatro, técnicas ilustrativas, palestras e trabalhos em grupo. Desta forma, conseguimos amarrar todos os temas abordados no dia a dia dos participantes”, explica a coordenadora da área técnica de saúde da população negra, Elaine Oliveira Soares.

Para a coordenadora do projeto, essa vulnerabilidade social a qual grande parte da população negra está submetida só será superada a partir do reconhecimento da existência do racismo como fator determinante das condições de saúde, servindo como ponto de partida para a busca da equidade das condições de vida. “O fim da discriminação racial começa a partir da informação por parte dos profissionais: eles precisam perceber os riscos de saúde com maior incidência nos negros”, disse. “Infelizmente, existem preconceitos que ainda são comuns: o homem negro baleado ainda é tratado como bandido, mesmo que não o seja. Os agentes de saúde, em muitos casos, não querem entrar em casas onde se realizam rituais de religiões afro-brasileiras.”

Para ela, é difícil criar estratégias para uma população específica, contudo é o objetivo da ação combater o racismo para que os serviços de saúde sejam mais justos e humanos. A principal finalidade do aprendizado, explica a coordenadora, é o de fortalecer a implantação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra através da qualificação dos trabalhadores.

“Estamos estabelecendo novas formas de trabalho que desconstruam qualquer tipo de racismo que possa existir no SUS”, diz. Dos 50 inscritos no curso, 44 concluíram a formação, sendo 38 trabalhadores da saúde como enfermeiros, médicos, agentes comunitários de saúde, assistentes sociais entre outros.

A partir do término do curso, é realizada mensalmente uma reunião para avaliação e monitoramento do projeto, de modo a observar como o aprendizado vem sendo aplicado no ambiente de trabalho. “Estamos acompanhando o dia a dia nas oito regiões de saúde do município, realizando, pelo menos, uma visita mensal. Apostamos no protagonismo dos trabalhadores e dos conselheiros de saúde locais”, analisa Elaine.

O curso, que teve 96 horas/aula, foi dividido em cinco módulos: Interfaces do racismo e o Sistema Único de Saúde; Principais agravos da saúde da população negra; Direitos humanos, Direitos sexuais e reprodutivos; Relações de gênero e promoção da igualdade; e Planejamento de ações de promoção à Saúde da População Negra. Em 2013, a segunda edição do curso já está garantida com três turmas preenchidas e para 2014 já existe lista de espera para participação no projeto.

Ficha Técnica

Título da experiência: Curso Promotor@s em Saúde da População Negra
Município: Porto Alegre
Apresentadora do Trabalho: Elaine Oliveira Soares
Coautores: Lucia Maria Xavier de Castro e Christiane Nunes de Freitas

16/09/2013
Fonte: Revista COSEMS/RS 5ª edição
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